sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Calhandras de Deus

Calhandras de Deus. Nós somos calhandras de Deus, disse o orador espírita Reinaldo Leite, numa de suas palestras. E explicou que essa imagem fora colocada por uma das maiores sopranos do mundo que conseguia, com sua magnífica voz, cantar com os pássaros (as calhandras), e num momento de profunda tristeza e desânimo de uma sua amiga, contou-lhe a seguinte lenda: “Quando Deus criou a Terra e os reinos da natureza, até o homem, em seis períodos geológicos, em vez de descansar, resolveu examinar a própria obra. Fez-se pássaro e voou pelas paisagens dos continentes, olhando o verde da vegetação, o colorido das flores, o roçar das folhas ao toque da brisa e vibrou em sintonia com a natureza. Sobrevoou os mares e os oceanos, abraçando toda aquela imensidão com seu pensamento divino e sentiu-se satisfeito. Voou para as altas montanhas, as cordilheiras geladas e viu seu reflexo nos espelhos de gelo. Olhou toda a sua obra e sentiu-se satisfeito. Mas faltava algo para ser visto, a peça mais importante da criação: o ser humano. E Deus desceu então de novo das alturas, fez-se mais uma vez um pássaro, uma calhandra, sabiá do mato, e pousou onde havia gente. Viu a mulher nas labutas do lar, cuidando dos filhos, sofrendo no parto e nas incompreensões humanas. Viu a criança faminta, abandonada; o jovem desgarrado, inseguro; o velho cansado e sofrido. Voou mais um pouco e olhou o homem no cabo da enxada, o suor correndo pelo rosto, a roupa velha e rasgada, os pés sujos de terra. Mas, o que mais tocou o Supremo Senhor foi o olhar de tristeza que observou no ser humano. O sofrimento, as lutas do dia-a-dia, o esforço pelo ganha-pão faziam parte do seu programa evolutivo, tal qual o buril que trabalha o diamante bruto, transformando-o em jóia de rara beleza, mas se a dor era um instrumento necessário a serviço da evolução, a tristeza não precisava existir. Subiu então de novo para as alturas, criou um pássaro igual àquele cuja forma tomara para visitar o planeta. Pôs luz nos seus olhos e lhe disse: – Vai calhandra, vai em meu nome cumprir a tua missão. Ela entendeu, desceu à Terra e pousou no cabo da enxada daquele triste agricultor. Seu olhar profundo, cheio de luz, fixou-se nos olhos do homem. Abriu o bico, então, e soltou no ar o mais cristalin65o dos trinados. O homem levantou a cabeça e algo moveu-se em suas entranhas ao toque da emoção. A calhandra cantou outra vez e seu canto fez o homem sorrir. Um novo trinado fez surgir uma luz misteriosa em seu olhar e a partir daí nunca mais foi triste. Cumprida a primeira pare da missão a calhandra levantou vôo e partiu a procura dos outros homens e mulheres para alegrá-los com seu canto, e todos entenderam que se os caminhos da Terra são difíceis, com lutas, sofrimentos e aflições necessários à evolução, é melhor seguir caminho cantando, com alegria e paz no coração.” Todos podemos ser calhandras de Deus, seja qual for a nossa profissão, condição social, material, física, intelectual ou espiritual. Não é preciso ter dinheiro para levantar o ânimo de alguém; não é preciso ter estudo para falar com os tristes mostrar-lhes que a vida é alegria, contentamento, vibração de amor, apesar de tudo. Podemos todos ser calhandras de Deus.

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